
Um pergolado de bambu pode transformar uma varanda, jardim ou área de descanso sem exigir uma construção tão complexa quanto uma casa de bambu. Também é uma aplicação interessante para quem está começando a trabalhar com bambu. Um pergolado pequeno permite aprender sobre escolha dos colmos, tratamento, secagem, cortes, conexões e proteção contra a chuva antes de partir para projetos maiores.
Mas existe uma diferença enorme entre simplesmente cortar algumas varas e montar uma estrutura e construir um pergolado preparado para permanecer no local durante muitos anos.
Se eu fosse fazer um, pensaria principalmente em quatro pontos:
bambu adequado → tratamento → proteção contra umidade → boa montagem.
Acertando essas etapas, o bambu pode deixar de ser apenas uma solução decorativa e se transformar em uma estrutura durável e muito interessante para áreas externas.
Antes de começar o pergolado
O primeiro passo não é cortar o bambu, mas decidir onde e para que o pergolado será usado. Pode ser uma pequena estrutura sobre um banco no jardim, uma cobertura parcial ao lado da casa, uma área de descanso, um corredor com plantas trepadeiras ou uma estrutura maior para uma varanda.
Também vale decidir desde o início se o pergolado ficará:
- totalmente aberto;
- coberto com plantas;
- protegido por policarbonato;
- coberto com telhas;
- ou parcialmente protegido pela própria construção.
Quanto maior a exposição à chuva, maior será a importância do tratamento e da manutenção do bambu. Para quem nunca construiu com o material, eu começaria pequeno, um pergolado simples é muito mais interessante para aprender do que tentar fazer uma estrutura grande logo no primeiro projeto.
Escolhendo o bambu certo
Nem todo bambu precisa ter o mesmo tamanho. Uma estrutura pequena e decorativa pode utilizar colmos relativamente finos. Já pilares e vigas de um pergolado maior normalmente exigem peças mais robustas. Bambus gigantes, como o Dendrocalamus asper, são interessantes justamente porque produzem colmos de grande diâmetro e paredes espessas. No nosso guia sobre o Dendrocalamus asper, mostramos com mais detalhes as características dessa espécie.
Mas tamanho não é tudo. Eu procuraria colmos:
- maduros;
- sem sinais importantes de ataque por insetos;
- sem rachaduras excessivas;
- em bom estado geral;
- adequadamente tratados;
- secos antes da montagem definitiva.
Usar um colmo muito jovem apenas porque ele está bonito e reto pode acabar reduzindo bastante a durabilidade da estrutura.

Do corte à montagem: preparando as peças
Uma dúvida comum de quem possui bambu na propriedade é se pode simplesmente cortar os colmos e começar o pergolado. Eu evitaria. Para uma estrutura destinada a permanecer durante anos, pensaria na seguinte sequência:
colher → tratar → secar → selecionar → cortar → montar.
O tratamento ajuda a proteger contra insetos e fungos, enquanto a secagem permite que boa parte das alterações dimensionais aconteça antes de o bambu entrar definitivamente na estrutura. Montar o pergolado com colmos ainda muito úmidos pode aumentar o risco de rachaduras e movimentações posteriores.
Tratamento e proteção contra chuva
Essa talvez seja uma das partes mais importantes de um pergolado de bambu, porque estamos falando de uma estrutura externa. Existem vários métodos de tratamento, que explicamos melhor no nosso artigo sobre bambu tratado. Para uma pequena propriedade, duas opções que merecem ser conhecidas são o tratamento com compostos de boro e o CCB.
Borato: uma alternativa mais simples para pequenas propriedades
O tratamento com ácido bórico, bórax ou produtos comerciais à base de boratos é uma das alternativas mais acessíveis e simples para quem pretende tratar bambu em pequena escala. Uma das formas de aplicação é a imersão das peças em uma solução preservativa dentro de um tanque. A INBAR descreve o tratamento por banho com compostos de boro como o método mais barato e simples entre os tratamentos com boro, embora o tempo de penetração possa variar bastante de acordo com o sistema.
Isso significa que, para quem possui um sítio e pretende começar tratando algumas dezenas de peças, não é necessariamente preciso ter uma instalação industrial. O problema aparece quando o bambu ficará exposto à chuva. Os compostos de boro são solúveis em água e, com o passar do tempo, a entrada de água pode retirar gradualmente parte do preservativo do material.
Por isso, em um pergolado externo, eu não trataria o borato como a única linha de defesa. Depois do tratamento e da secagem, um bom acabamento externo pode ajudar a dificultar a entrada de água e reduzir a lixiviação. Uma revisão sobre preservativos à base de boro descreve o uso de vernizes, resinas e ceras hidrofóbicas como formas de reduzir a entrada de umidade e retardar a perda do boro, sem tornar o preservativo permanentemente fixado.
Na prática: tratamento com borato + acabamento adequado + manutenção periódica é muito melhor do que simplesmente tratar o bambu e abandoná-lo permanentemente sob chuva e sol.
CCB: maior proteção para exposição externa
Outra possibilidade é o CCB — borato de cobre cromatado. Ele também pode ser aplicado por imersão em solução aquosa. Portanto, visualmente, o sistema pode se parecer com o tratamento com borato: as peças entram em contato com uma solução preservativa dentro de um tanque. A diferença está na química do produto e nos cuidados necessários.
Um estudo brasileiro publicado na Pesquisa Florestal Brasileira utilizou tratamento por imersão em CCB em amostras de Dendrocalamus asper e acompanhou o material durante cinco anos em ensaio de campo de apodrecimento. As peças tratadas permaneceram preservadas, enquanto o material de controle apresentou elevado nível de deterioração. Esse resultado torna o CCB especialmente interessante quando pensamos em bambu sujeito a condições externas mais severas. Ao mesmo tempo, é um preservativo que eu trataria com mais cuidado em uma propriedade devido a sua toxicidade.
Enquanto o sistema com boratos é relativamente simples para pequena escala, com o CCB eu preferiria utilizar produto comercial apropriado, seguir rigorosamente as instruções do fabricante e ter atenção especial a EPI, armazenamento e descarte da solução. Não trataria o CCB como uma mistura caseira para ser preparada sem controle.
Borato: mais simples para começar e muito interessante principalmente quando o bambu ficará relativamente protegido.
CCB: opção interessante para condições externas mais severas, mas exige mais controle e cuidado no tratamento.
O mesmo estudo brasileiro encontrou maior lixiviação de cobre e cromo na parte inferior das amostras, que permanecia em contato com o solo, do que na parte aérea. Isso reforça outro cuidado muito importante. (Pesquisa Florestal Brasileira)
A base dos pilares merece atenção
Evitar colocar o bambu diretamente ao solo, preferindo bases de concreto ou ferro é uma boa opção para aumentar consideravelmente a vida útil dos pilares.
A região próxima ao chão reúne várias condições ruins ao mesmo tempo:
- umidade frequente;
- contato com o solo;
- pouca ventilação;
- água acumulada;
- fungos;
- maior dificuldade de inspeção.

Uma solução mais interessante é manter o bambu elevado, apoiado em uma base apropriada de concreto ou em algum sistema metálico que evite o contato direto do colmo com o solo. A própria INBAR recomenda separar o bambu estrutural do solo e evitar seu confinamento direto em fundações úmidas.
Isso não significa que bambu enterrado necessariamente vai se deteriorar imediatamente, mas é uma condição muito mais agressiva. E, se existe uma maneira relativamente simples de reduzir esse problema, eu preferiria fazer isso desde o início.
Cobertura, sombra e estilo
Um pergolado não precisa necessariamente ter uma cobertura impermeável. A escolha depende do objetivo.
Pergolado aberto

É o formato mais simples. As travessas superiores criam sombra parcial e o próprio desenho da estrutura se torna parte da área externa. O bambu, porém, permanece mais exposto.
Com plantas trepadeiras

Pode produzir uma sombra muito agradável e integrar bastante o pergolado ao jardim. O ponto de atenção é que folhas e galhos também podem reter umidade sobre a estrutura.
Com policarbonato

É uma opção para quem quer manter luminosidade, mas reduzir bastante a entrada de chuva.
Do ponto de vista da durabilidade do bambu, essa proteção pode ser muito interessante.
Com telhas

Cria uma cobertura mais completa e aproxima o pergolado de uma pequena varanda. Também protege melhor as peças superiores contra a chuva.
Não existe uma opção universalmente melhor. Mas, pensando apenas na vida útil do bambu, quanto menos tempo ele permanecer molhado, melhor.
Uma visão simples da montagem
Sem entrar em dimensionamento estrutural, um pergolado básico possui uma lógica relativamente fácil de entender. Normalmente teremos:
pilares → vigas principais → travessas superiores.
Em uma estrutura pequena, quatro pilares podem sustentar duas vigas laterais, sobre as quais são instaladas as travessas. A simplicidade visual, porém, não significa que qualquer montagem seja segura. O peso próprio da estrutura, o vão entre pilares, a cobertura, a ação do vento e o tipo de conexão influenciam o comportamento do pergolado. Por isso, estruturas maiores ou coberturas pesadas merecem projeto e avaliação adequados. Para o primeiro projeto, eu preferiria justamente o contrário: pequeno, simples e fácil de inspecionar.
Quanto tempo um pergolado de bambu pode durar?
Não existe um número exato porque a diferença entre dois pergolados pode ser enorme. Um bambu sem tratamento, enterrado diretamente no solo e permanentemente exposto à chuva está em uma condição completamente diferente de um bambu maduro, tratado, seco, elevado do chão e protegido por uma cobertura. Nessas condições desfavoráveis, em poucos anos podem começar a aparecer problemas. Já um bambu tratado em um pergolado bem construído e protegido pode durar algumas décadas.
Como referência, um relatório técnico da INBAR apresenta estimativas aproximadas para ambientes quentes e agressivos: bambu externo acima do solo e sem tratamento poderia precisar de substituição em cerca de 0,5 a 4 anos; tratado com boro, em aproximadamente 2 a 15 anos; e, com preservativos fixados, a referência apresentada chega a 30 anos ou mais. São estimativas, não uma garantia de vida útil para qualquer pergolado, mas ajudam a mostrar o quanto tratamento, exposição e projeto mudam o resultado.
Pergolado de bambu ou de madeira?
Não acho que exista um vencedor absoluto. A madeira tem algumas vantagens práticas importantes. É um material mais padronizado, existe muito mais mão de obra acostumada a trabalhar com ela e as conexões são amplamente conhecidas. Já o, bambu tem outras características. Ele pode ser relativamente leve, tem uma aparência muito própria e, quando produzido localmente, pode apresentar uma vantagem econômica interessante.
Também existe a questão estética. Um pergolado de madeira normalmente cria linhas retas e bastante padronizadas. Já o bambu mantém pequenas curvas, nós e diferenças de diâmetro que deixam cada estrutura com uma aparência própria.
Por isso, eu não tentaria necessariamente fazer o bambu parecer madeira. Parte da graça está justamente em aproveitar essas diferenças.
Quanto custa fazer um pergolado de bambu?
Aqui vale colocar alguns números reais.
Na consulta feita em setembro de 2026, encontramos no mercado brasileiro bambu tratado de três metros sendo vendido em diferentes faixas de tamanho. Os valores abaixo foram observados na Bambu Market e servem apenas como referência, porque preços, disponibilidade e frete podem mudar.
- bambu Hatiku tratado de 4 a 5 cm: cerca de R$40 por vara de 3 metros;
- bambu Hatiku tratado de 6 a 7 cm: cerca de R$56 por vara de 3 metros;
- Dendrocalamus asper tratado de 13 a 14 cm: aproximadamente R$95 por peça de 3 metros;
- Dendrocalamus asper de 14 a 15 cm: aproximadamente R$100 por peça;
- Dendrocalamus asper de 15 a 16 cm: aproximadamente R$103 por peça.
No caso do Dendrocalamus asper, os kits com 12 peças de três metros estavam anunciados por aproximadamente R$1.143 a R$1.231, dependendo do diâmetro. O kit de 15 a 16 cm, por exemplo, estava anunciado por R$1.230,77.
Isso significa que somente 12 colmos grandes tratados representam 36 metros lineares de bambu e já passam de R$1 mil antes de considerar o transporte. O frete merece atenção especial porque estamos falando de peças longas, volumosas e relativamente pesadas.
E vale lembrar que o custo de um pergolado não vem apenas do bambu. Também entram:
- bases;
- parafusos ou conexões;
- acabamento;
- cobertura, se houver;
- mão de obra;
- transporte.
Quando o bambu já está na propriedade
Aqui a conta muda bastante. Imagine que parte daqueles 12 colmos de três metros possa ser produzida dentro da própria propriedade.
Ainda teremos custos. O bambu precisa ser:
- cultivado;
- colhido;
- transportado;
- tratado;
- seco;
- selecionado;
- preparado.
Mas não estamos mais comprando cada vara individualmente nem pagando frete de uma carga volumosa por longas distâncias.
É justamente por isso que considero o pergolado uma aplicação interessante para o nosso projeto. Se o nosso cultivo de Dendrocalamus asper evoluir como esperamos, um pergolado pequeno pode ser uma boa forma de utilizar os primeiros colmos maduros e testar todo o processo:
colheita → tratamento → secagem → preparação → construção.
Antes de pensar em uma casa inteira, ter algumas estruturas menores dentro da própria propriedade pode fornecer muito aprendizado.
Erros que encurtam a vida do pergolado
Alguns erros aparentemente pequenos podem reduzir bastante a durabilidade.
- Usar bambu jovem: Nem sempre o colmo mais novo é a melhor peça para construção.
- Não tratar o bambu: O colmo pode parecer perfeito no momento da montagem e ainda assim ficar vulnerável a insetos e fungos.
- Enterrar diretamente no solo: É uma das situações que eu mais evitaria.
- Confiar apenas no verniz: O acabamento ajuda a reduzir a entrada de água, mas não deve ser confundido com o tratamento preservativo.
- Ignorar as extremidades: Cortes, pontas e conexões podem facilitar a entrada de água. Também é importante evitar frestas e detalhes de montagem onde a água possa ficar acumulada.
- Montar peças ainda muito úmidas: O bambu continuará secando depois da montagem e podem surgir rachaduras ou movimentações.
- Começar grande demais: Para quem nunca trabalhou com bambu, um projeto pequeno permite aprender gastando menos material e corrigindo erros com muito mais facilidade.
Por onde eu começaria
Se fosse meu primeiro pergolado de bambu, eu faria algo pequeno. Escolheria um local próximo da casa ou de uma área de convivência, onde fosse fácil observar a estrutura e fazer manutenção. Utilizaria bambu maduro, tratado e bem seco e não enterraria os pilares diretamente no chão.
Se utilizasse tratamento com boratos, tentaria manter boa parte da estrutura protegida da chuva e aplicaria um acabamento adequado para área externa. Também evitaria uma cobertura muito pesada no primeiro projeto.
A ideia seria aprender com uma estrutura simples antes de aumentar o tamanho e a complexidade. Para quem planta o próprio bambu, eu acho que esse aprendizado pode acabar valendo tanto quanto o próprio pergolado.
Vale a pena fazer um pergolado de bambu?
Na minha opnião sim, principalmente quando existe fácil acesso a bambu de boa qualidade. É uma estrutura que pode ser relativamente simples, valoriza bastante a aparência natural do material e serve como uma excelente introdução à construção com bambu. A vantagem fica ainda maior para quem possui bambu na própria propriedade. Nesse caso, o pergolado não é apenas uma construção: pode virar uma maneira prática de aprender a transformar o colmo que sai da touceira em um material tratado, seco e realmente utilizável. E essa experiência pode depois ser aplicada em bancos, móveis, cercas, quiosques, galpões e até projetos maiores.
Perguntas frequentes sobre pergolado de bambu
Precisa tratar o bambu antes de fazer o pergolado?
Para uma estrutura destinada a durar muitos anos, sim. O tratamento ajuda a proteger o bambu contra insetos e fungos.
Borato pode ser usado em pergolado externo?
Pode, mas os compostos de boro são solúveis em água. Por isso, em áreas externas, é importante reduzir a entrada de água com bom acabamento e manutenção. Quanto mais protegido da chuva estiver o bambu, melhor.
CCB pode ser aplicado por imersão?
Sim. Existem estudos com Dendrocalamus asper tratado por imersão em solução de CCB, inclusive com bons resultados em exposição de campo. O produto, porém, exige mais cuidado no manuseio do que tratamentos simples com boratos. (Pesquisa Florestal Brasileira)
Posso enterrar o bambu diretamente no chão?
É possível encontrar construções feitas dessa forma, mas eu evitaria quando o objetivo for aumentar a vida útil. Manter o colmo elevado e afastado da umidade constante tende a ser uma solução melhor.
Precisa colocar verniz no bambu?
Um acabamento adequado para uso externo ajuda a reduzir a entrada de água, protege a aparência do material e pode diminuir a lixiviação de preservativos solúveis. Ele deve ser visto como complemento, e não como substituto do tratamento. (Bioresource Technology)
Quanto custa uma vara de bambu tratado?
Como referência encontrada em setembro de 2026, peças tratadas de três metros aparecem desde cerca de R$40 em diâmetros menores até aproximadamente R$100 ou mais em Dendrocalamus asper de 13 a 16 cm. (Bambu Market)
Dendrocalamus asper serve para pergolado?
Sim. É um bambu gigante com colmos grandes e pode ser interessante para estruturas desse tipo, desde que as peças sejam corretamente selecionadas, tratadas e utilizadas em um projeto adequado.
Em resumo
Fazer um pergolado de bambu não precisa começar com cálculos complicados ou uma grande estrutura. O caminho mais seguro para quem está começando é entender a sequência:
escolher o projeto → selecionar o bambu → tratar → secar → proteger do solo e da água → montar → fazer manutenção.
O tratamento com boratos oferece uma alternativa relativamente simples para pequenas propriedades, enquanto o CCB pode ser interessante para condições de exposição mais severas, embora exija cuidados maiores durante o tratamento.
Ao mesmo tempo, detalhes aparentemente simples — como não enterrar o bambu diretamente no solo, proteger os colmos da chuva e manter o acabamento — podem fazer uma enorme diferença na vida útil.
Para quem possui bambu na própria propriedade, existe ainda um benefício adicional: um pergolado pequeno pode ser um dos primeiros projetos capazes de transformar o bambu cultivado no terreno em uma estrutura real e útil.